2 de fevereiro de 2007
O Semeador
Era de noite e Ele estava só.
Reconheceu, à distância, as muralhas de uma grande cidade e foi para ela que Ele se dirigiu. Contudo, quando se aproximou, ouviu de dentro dessa mesma cidade o tropel dos folguedos, o alarido da alegria e os ruídos ensurdecedores de muitos alaúdes. E Ele, o tal, bateu no portão que os guardas (logo de seguida) abriram para o deixar entrar.
Quando Ele entrou, viu uma casa de mármore, com belas colunas de mármore à sua frente. As colunas estavam adornadas de guirlandas, e quer de fora, quer no interior, ardiam tochas de cedro. Ele entrou numa casa.
Quando Ele cruzou o vestíbulo de calcedônia, o de jaspe e atingiu o salão dos festins, viu, estendido sobre um leito de púrpura marinha, um homem cujos cabelos estavam coroados de rosas vermelhas e os lábios rubros manchados de vinho. Como é óbvio, Ele aproximou-se e tocou-lhe nas costas, dizendo:
- Por que vives assim?
O jovem, voltando-se, reconheceu-O e respondeu-Lhe:
Eu era leproso e Tu curastes-me. Como iria eu viver?
Ele deixou a casa e voltou à rua. Pouco depois, viu uma mulher cujo rosto e trajes eram coloridos e cujos pés estavam recamados de pérolas. Atrás dela, cauteloso como um caçador, caminhava um jovem que usava uma túnica de duas cores. O rosto da mulher era tão belo como o rosto de um ídolo e os olhos do jovem faiscavam de sensualidade.
Ele, rapidamente, seguiu o jovem, e tocando-lhe na mão indagou:
- Por que olhais para essa mulher de tal maneira?
O jovem, voltando-se, reconheceu-O e respondeu-Lhe:
- Eu era cego e vós me restituístes a vista. Para quem mais poderia eu olhar?
Seguidamente, Ele dirigiu-Se adiante e ao tocar no vestido colorido da mulher, perguntou-lhe:
- Não há outro caminho para trilhardes, que não seja o do pecado?
A mulher voltou-se e, reconhecendo-O, replicou-Lhe:
- Vós perdoastes os meus pecados e este é um caminho agradável de se viver!
Ele, então, afastou-se da cidade. E quando a deixara, deparou-se à beira da estrada com um jovem a chorar. Aproximou-se dele e tocou nas longas madeixas dos seus cabelos, para assim lhe perguntar:
- Por que chorais?
O jovem ergueu os olhos. Reconhecendo-O, respondeu-Lhe:
- Eu estava morto e vós me ressuscitastes. O que farei agora, senão chorar?
Reconheceu, à distância, as muralhas de uma grande cidade e foi para ela que Ele se dirigiu. Contudo, quando se aproximou, ouviu de dentro dessa mesma cidade o tropel dos folguedos, o alarido da alegria e os ruídos ensurdecedores de muitos alaúdes. E Ele, o tal, bateu no portão que os guardas (logo de seguida) abriram para o deixar entrar.
Quando Ele entrou, viu uma casa de mármore, com belas colunas de mármore à sua frente. As colunas estavam adornadas de guirlandas, e quer de fora, quer no interior, ardiam tochas de cedro. Ele entrou numa casa.
Quando Ele cruzou o vestíbulo de calcedônia, o de jaspe e atingiu o salão dos festins, viu, estendido sobre um leito de púrpura marinha, um homem cujos cabelos estavam coroados de rosas vermelhas e os lábios rubros manchados de vinho. Como é óbvio, Ele aproximou-se e tocou-lhe nas costas, dizendo:
- Por que vives assim?
O jovem, voltando-se, reconheceu-O e respondeu-Lhe:
Eu era leproso e Tu curastes-me. Como iria eu viver?
Ele deixou a casa e voltou à rua. Pouco depois, viu uma mulher cujo rosto e trajes eram coloridos e cujos pés estavam recamados de pérolas. Atrás dela, cauteloso como um caçador, caminhava um jovem que usava uma túnica de duas cores. O rosto da mulher era tão belo como o rosto de um ídolo e os olhos do jovem faiscavam de sensualidade.
Ele, rapidamente, seguiu o jovem, e tocando-lhe na mão indagou:
- Por que olhais para essa mulher de tal maneira?
O jovem, voltando-se, reconheceu-O e respondeu-Lhe:
- Eu era cego e vós me restituístes a vista. Para quem mais poderia eu olhar?
Seguidamente, Ele dirigiu-Se adiante e ao tocar no vestido colorido da mulher, perguntou-lhe:
- Não há outro caminho para trilhardes, que não seja o do pecado?
A mulher voltou-se e, reconhecendo-O, replicou-Lhe:
- Vós perdoastes os meus pecados e este é um caminho agradável de se viver!
Ele, então, afastou-se da cidade. E quando a deixara, deparou-se à beira da estrada com um jovem a chorar. Aproximou-se dele e tocou nas longas madeixas dos seus cabelos, para assim lhe perguntar:
- Por que chorais?
O jovem ergueu os olhos. Reconhecendo-O, respondeu-Lhe:
- Eu estava morto e vós me ressuscitastes. O que farei agora, senão chorar?
Lembra-te sempre:Nunca O deixes sozinho e aproveita a semente boa que todos os dia Ele te dá...
(Oscar Wilde)
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1 comentários:
Este texto e lindo !!! E se tds nos aproveitassemosa semente k Ele nos da o mundo seria bem mlhr ;)
Jinhos ************