O Monólogo do Velho da Horta - Reflexão de Pentecostes
Não leia caso não queira mudar o rumo da sua vida!
.Entra um velho, o velho da horta, e diz:
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«- De onde é que me veio esta ideia de que a minha vida é minha? O que me fez pensar que este corpo, que o meu destino, que a minha sorte são meus? Eu actuo diariamente como se fosse dono de mim, como se mandasse nos meus membros, como se isso fosse a minha responsabilidade, o meu destino, a minha preocupação, a minha dificuldade. Mas de onde me veio essa ideia?
Se eu olhar com atenção e objectividade, tudo o que sei aponta noutro sentido. Nasci sem dar por isso. Não fiz nada para nascer assim, nascer aqui, nascer neste tempo. Um dia acordei e notei que existia, mas não fizera nada para isso. Se me disserem que a minha vida me foi entregue, isso encaixa muito melhor nos factos que eu sei do que dizer que a vida é minha.
Não fiz nada para ser altou ou baixo, louro ou moreno, bonito ou feio, esperto ou estúpido. Sou o que sou não por minha obra, mas por ser o que sou. E os meus pais, que me fizeram, também não são capazes de me explicar como me fizeram, porque nasci e porque sou assim. Eles sabem que me fizeram, mas não sabem como, nem sabem fazer outro igual a mim.
Além disso, eu nem sequer controlo a minha vida depois de a ter. Eu sei que a vida me vai ser tirada um dia, sem eu poder fazer nada quanto a isso. 'E quem de vós, pelos factos' de inquietar, pode acrescentar um côvado à extensão da sua vida? Se nem as mínimas coisas podeis fazer, porque vos preocupais com as restantes?' (Lc 12, 25-26)
E todos os dias, no meio da minha labuta, sou continuamente lembrado de que controlo muito pouco do que me acontece. Sinto que domino o andamento da minha vida, mas sinto também que só domino uma pequeníssima parte da minha vida. Sou o resultado da minha educação, de influências de amigos, do ambiente, de múltiplos acasos que tiveram efeitos decisivos. Além disso, a minha vida está mergulhada num mar de influências, de efeitos laterais, de conseguências inesperadas.
Se quiser ser rigoroso, tenho de dizer que esta vida, que indiscutivelmente me está confianda, é tudo menos minha. A melhor maneira de a descrever é dizer que é como quando me emprestaram uma casa. Às vezes acontece que um amigo empresta a outro uma casa e a sua horta. E este vive na casa que não construiu, não comprou, nem mobilou, que não conhece e que não controla. Come da horta que não escolheu, que não plantou, que não cuidou. E que, quando o amigo voltar, vai ter de devolver em bom estado.
Isto não quer dizer que não tenhamos responsabilidade. Eu sinto bem que produzo efeitos na minha vida, tal como a minha conduta afecta a casa que me foi emprestada.
Assim, se quisermos ser honestos, percebemos que aquilo que o Senhor Jesus nos diz sobre a nossa vida é o que faz mais sentido.
Quando aparece alguém que nos diz; 'Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeç estão todos contados!' (Mt 10, 30), Ele comporta-Se como o dono da casa. É o dono da casa que conta o que é seu, que não o quer perder. Aliás, o Senhor Jesus Cristo passou a vida a fazer comparações deste tipo.
'Um homem, ao partir para fora, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um deu 5 talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual conforme a sua capacidade; e depois partiu...Passado muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e pediu-lhes contas' (Mt 25, 14-15 e 19). Ele é o enhor dos servosa acertar contas do que nos deu. Nós somos os servos.
'Um chefe de família plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar, contruiu uma torre, arrendou-a a uns vinhateiros e ausentou-se para longe. Quando chegou a época das vindimas, enviou os seus servos aos vinhateiros, para receberem os frutos que lhe pertenciam.' (Mt 21, 33-34). Ele é o chefe da família e o dono da vinha. Nós somos os vinhateiros, somos a vinha.
"Saiu o semeador para semear a sua semente". (Lc 8, 5). Ele é o semeador. Nós somos a semente, ou a terra que recebe a semente.
"Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: 'Pai dá-me parte dos bens que me corresponde'. E o pai repartiu os bens entre os dois." (Lc 15, 11-12). Ele é o pai. Nós somos os filhos.
Nós podemos duvidar que Ele seja quem diz ser. Não temos a certeza se Ele é quem confirma. Não sabemos se Ele é dono da casa, o chefe de família e dono da vinha, o semeador, o pai. Não sabemos nem temos maneira de saber. Agora o que não há dúvida é de que nós somos exactamente como Ele diz que somos. Não há dúvida de que a nossa vida é assim. É como a dos servos que receberam talentos, dos vinhateiros em vinha alugada, terra semeada por outros, filhos que recebem a herança. A única coisa que podemos observar, a nossa vida, confirma o que Cristo disse.
O facto de sermos vinhateiros em vinha alugada, hortelãos em horta alheia, terra semeada por outros, não quer dizer que não tenhamos responsabilidade. Nós temos de pôr os talentos a render; mas os talentos, não os fizemos nós. Nós temos de tratar da horta; mas a horta não é nossa.. Nós temos de fazer germinar a semente; mas a semente caiu aqui. Nós temos de utilizar a herança; mas outro no-la deu.
Há uma parábola que diz isto de forma ainda mais clara.
"Quem será, pois, o administrador fiel e prudente a quem o senhor pôs à frente so seu pessoal para lhe dar, a seu tempo, a ração de trigo? Feliz o servo a quem o senhor, quando vier, encontrar servindo assim. Em verdade vos digo que o porá à frente de todos os seus bens. Mas, se aquele administrador disser consigo o mesmo: 'O meu senhor tarda em vir' e começar a espancar servos e servas, a comer, a beber, a embriagar-se, o senhor daquele servo chegará no dia em que ele menos espera e a uma hora que ele não sabe; então, pô-lo-á de parte, fazendo-o partilhar da sorte dos infiéis. O servo que, conhecendo a vontade do seu senhor, não se preparou e não agiu conforme os seus desejos, será castigado com açoites. Aquele, porém, que, sem a conhecer, fez coisas dignas de açoites, apenas receberá alguns. A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confinado, muito será pedido." (Lc 12, 42-48)
Nós vemos bem que isto tem de ser verdade. Nós vemos todos os dias pessoas que vivem a vida como a administração de uma propriedade preciosa, e lidam com os outros de forma leal, cuidadosa e respeituosa. Mas vemos outros que se põem a "espancar e servos e servas, a comer, a beber e a embriagar-se". E sabemos que os que "conhecendo a verdade do senhor" fazem o mal levam mais açoites que os que "sem a conhecerem, fazem coisas dignas de açoites."
Cristo é o único homem da História que Se comporta como se fosse o dono da vida. E o que Ele diz corresponde ao que eu vejo na minha vida. Eu não sei de onde vim, mas sei que não sou dono disto. A minha vida foi-me emprestada. Cristo é a única pessoa que me diz isto.
A sociedade moderna diz que eu sou dono da minha vida, o que é evidentemente falso. O budismo diz que a vida é só dor e sofrimentos, o que também é evidentemente falso. As mitologias, o hinduísmo, o xintoísmo dizem-me que eu posso comprar a vida com alguns cultos aos poderes do universo, o que é evidentemente falso. O islamismo e o judaísmo dizem-me que alguns homens (Moisés, Moamé) falaram com Deis, o senhor da vida, que lhes disse o que deveríamos fazer, o que até pode ser verdadeiro.
Mas só Cristo diz coisas como: "Quem quiser salvas a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Ou que poderá dar o homem em troca da sua vida?"(Mt 16, 25-26)
Nós passamos a vida a falar de nós. No entanto, nós não somos o assunto. O único assunto da nossa vida é Ele, é Cristo. Viver cada momento da nossa vida com os olhos postos no Céu é a única coisa que faz sentido.
Cristo veio dizer-nos que nós não somos daqui. Nós somos do Céu e caímos aqui. Nós somos do Céu. Ou, se preferirem, da Igreja, que é o corpo de Cristo. A Igreja aqui na Terra, a "Igreja militante", é já o início do Céu, da "Igreja triunfante". Estamos já a viver o início do Céu. A única razão por que estamos aqui é porque o Senhor precisa de nós. Quer precisar de nós na Igreja. Quer precisar de nós para trazermos o Céu para aqui.
Somos do Céu mas estamos aqui em "comissão de serviço". A nossa missão é trazer o Céu, uma parte do Céu, um bocadinho do Céu a este mundo. Fazer tudo aquilo que faz de nós pessoal salvas. A nossa missão é tornar já aqui presente o Céu, o Céu de onde somos. "Estou crucificado com Cristo. Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim" (Gl 2, 19-20).
A minha missão é fazer o Céu aqui mesmo.
Nesta horta. »
Lembrar:
-No próximo dia 2 de Junho às 21:30h (e visto que já hoje é dia de Pentecostes) o grupo Ser Ajuda irá realizar a sua habitual Festa de Pentecostes. Depois da "Via Lucis I" e "Festa do Fogo", o grupo irá realizar a sua segunda Via da Luz. Aliás, acompanhámos Jesus no seu sofrimento (Via Sacra)...porque não apoiá-lo no seu triunfo?
Esta actividade do grupo vai ser muito especial, já que vai ser a última actividade a marcar um ciclo do grupo, a nível de actividades. O grupo mudou, a estrutura do grupo mudou, e as actividades e o caminho da missão têm que se auto-recriar cada vez mais para mantermos a chama do grupo acesa!
- O grupo foi convidado a ir ver o fabuloso Requiem de Mozart, na Igreja de S. João de Brito em Lisboa, dia 22 de Junho pelas 21:30h...Acompanhe-nos!
-Recebemos também um convite para ir ver o musical/espectáculo "Jesus Cristo Superstar" de Filipe La Féria que foi apresentado no Teatro Rivoli, no Porto...esperamos, neste Pentecostes, ardentemente para que a produção chegue a Lisboa!
- Para além disso, o grupo tem recebido vários convites de todo o país para actividades...Uma delas foi o festival "Louvai ao Senhor", O Festival Musical Online! O grupo não foi a tempo de participar, mas convida a todos os interessados que votem nas suas músicas preferidas, a partir do dia 27 de Maio!
Exposição do Concurso de Arte Cristã!
O Ser Ajuda tem o prazer de vos anunciar que está aberta a "Exposição do Concurso de Arte Cristã", na Sala de Pedra da nossa paróquia!
...a história "Hoje de Manhã" (terceiro lugar)...
...assim como outras histórias enviadas!
Do mesmo modo (e em primeira-mão), a exposição engloba o primeiro lugar da categoria "Melhor trabalho manual cristão"- um presépio versão "panorãmica" realizado pela sala dos 4/5 anos do Centro Paroquial de Nª Srª da Ajuda...
...outro presépio, desta vez 3D, realizado pelo 4º Volume da nossa paróquia (segundo lugar)...




Venham ver! Esperemos que gostem!

Nesta exposição foi exposta a história vencedora: "Sorrir"...

