A Fé - Prémio "Mérito"
Para começar não tenho uma religião: simplesmente me rejo pela Palavra de Deus. Isto porque Deus é perfeito e o Homem não; e o que acontece é que as religiões que o Homem cria, embora sigam a Palavra de Deus, se dispersam. As religiões complicam, embelezam ou modificam a forma de entender a Palavra. Não quero deste modo criticar religião alguma, não é essa a minha intenção. Para mim, todos os crentes seguem o mesmo Deus. Podemos dar-Lhe nomes diferentes, mas na realidade ele é o mesmo.
Penso que quando alguém ouve a Palavra (quer em casa, com amigos ou numa igreja) tem de a interpretar à sua maneira. Tenho a certeza de que quando ouvimos ou lemos alguma passagem biblíca, essa passagem “fala-nos” ao coração de maneiras diferentes, dependendo da nossa situação, da nossa história pessoal, das nossas vivências. Isto porque somos todos diferentes.
Assim, quando ouvimos a Palavra não temos de obedece-la pelo facto de uma entidade religiosa superior (como um padre,um rabi ou um reverendo) achar que é a maneira correcta de proceder. A pessoa tem de interpretar a Palavra individualmente, porque o que um capítulo e uma versículo significam para mim, podem significar uma outra coisa a outra pessoa.
Feita esta introdução, passarei ao tema principal deste texto: a Fé. A Fé é do mais extraordinário que existe no mundo físico e espiritual. Digo isto porque para a ter, agir através dela e usá-la na vida, não é necessário seguir uma religião ou ter um deus a quem prestar culto. Vou dar um exemplo: um indivíduo anda da sua cidade que se situa no Sul do país a uma cidade no Norte. Ele diz que fará toda essa caminhada a pé. E porque razão fará isto? Porque prometeu fazer essa caminhada quando a mãe estava doente, para que ela ficasse curada. A mãe ficou curada e ele lá caminhou. Ele teve Fé.
Outro exemplo são as caminhadas a Fátima, mas embora aqui exista uma entidade religiosa, não deixa de haver Fé. As pessoas acreditam que ao fazer as procissões ficarão livres dos seus males, e, verdade seja dita, funciona.
Mas afinal o que é a “Fé”?
A Fé é ver o que os olhos não vêem, acreditar naquilo que não existe e que muitas é impossível á realidade humana. Tornarei isto mais simples: é estar preso e rodeado por muralhas intrasponíveis e não as ver, ultrapassá-las e viver livremente.
Não seguindo uma religião, a Fé é acreditar com muita força e permitir que o poder dessa força aja na nossa vida.
Numa religião, seguindo a Palavra de Deus, já é um pouco diferente. Segundo a Biblía Sagrada “a Fé vem pelo ouvir, ouvir a Palavra de Deus”. Após ouvi-La é preciso crer.
Na língua portuguesa, a palavra “crer” é muito parecida com a palavra “querer”. Na Fé usam-se as duas e uma não é sem a outra. “Querer” é fácil e ,posso dizer, quase primitivo. Já o “crer” é difícil. Um exemplo: uma crente religiosa trabalha numa firma onde estão a despedir empregados como ela. Ela sabe que pode ser a próxima a ser despedida, mas ela não quer, ela quer continuar a trabalhar (estamos perante o 1º passo – Querer). Durante alguns dias ela reza a Deus para que a ajude, e durante esses mesmos dias ela vê os seus colegas de departamento a serem despedidos. Ela podia pensar “sou a próxima, se ou outros que fazem o mesmo trabalho que eu estão a ser despedidos, eu também serei”. Mas ela não faz isso, ela reza e crê na Palavra do Senhor, recorda-se sempre do Salmo 23: “o Senhor é o meu pastor e nada me faltará”. Ela não se dá por vencida e acredita que o seu Deus não permitirá que ela seja despedida ( 2º passo - Crer). Passaram-se duas semanas, metade do pessoal foi despedido, ela não. Ela teve Fé, acreditou que venceria perante todas as adversidades: quis e creu.
O poder da Fé é imenso, tal como disse anteriormente, opera no mundo espiritual e no mundo físico. Começa em nós (espiritualmente) e acaba nas nossas acções (mundo físico).
Mas nem sempre é tão fácil, por vezes ter Fé significa ignorar a condenação do nosso coração. Facilitarei isto num exemplo: um indivíduo crente cometeu um homicídio e esteve na cadeia durante alguns anos. Todos os dias o homicídio aparece-lhe na mente e ele sente-se culpado. Ele está arrependido do que fez, porque sabe que não o devia ter feito.Um dia ele resolve ir falar com a entidade religiosa superior da sua igreja, e explica-lhe o que se está a passar na sua vida. A entidade diz-lhe que Deus é amor e perdão e que todos os seus pecados, quando ele se arrepende de os ter cometido, lhe são perdoados. O indivíduo fica agradado com a Palavra proferida pela entidade e sai da igreja mais alegre. Mas quando chega lá fora, nota o olhar de censura das pessoas que sabem que ele cometeu o homicídio e o coração pesa-lhe. Mas Deus perdoou-lhe, ele não devia estar feliz com isso? Sim, mas naturalmente sente-se mal ao olhar para os outros e ver neles raiva, censura e desagrado. Ao falar novamente com a entidade superior, esta diz-lhe para que tenha Fé, Fé que os seus pecados já não existem. O indivíduo toma essa Palavra e tem Fé, quer que o seu coração deixe de pesar e crê que o mal que fez no passado foi apagado. Quando faz isto passa a ser um homem feliz.
.
É assim que eu interpreto a Fé, muitos, como disse anteriormente, a poderão ver de uma forma diferente.
Ana Carina CunaPrémio "Mérito" pois mesmo sendo Crente da Igreja Evangélica, teve a coragem de expressar a sua verdadeira Fé (o que é o mais duro de admitirmos em nós mesmos), nesta iniciativa.

5 comentários:
Embora não concorde, devido às minhas convicções religiosas, de alguns pontos da história, louvo e muito a autora, a iniciativa, e a escolha para Prémio Mérito.
Porquê?
Porque, mais do que tudo (e como foi aí dito), é preciso termos coragem para realmente admitirmos as nossas convicções...e independentemente das nossas escolhas de escolher Cristo...o importante é escolhê-lo!
Gosto também da comunicabilidade de religiões...só para isso e para nos enriquecer como cristãos e como seres humanos teleológicos, a autora está de parabéns, assim como a iniciativa.
Mais do que tudo, aprendemos a reflectir e a afirmar as nossas próprias "fés"...embora concorde: a FÉ é a mesma para quem segue realmente Cristo.
Parabéns
Olha a nossa Carina, a nossa Saramago!
Eu pessoalmente gosto muito de discutir este tipo de coisas com a Carina, e de aprender um pouco mais sobre a forma como pessoas completamente diferentes e com convicções parcialmente diferentes chegam sempre a Cristo!
Concordo que é preciso coragem para entrar nesta iniciativa, ainda para mais quando não se partilha inteiramente com a religião receptiva...é preciso...ser-se uma grande personagem!
Ah, e a Carina foi mesmo, mesmo ao tema:
"O concurso destina-se a todos os Cristãos (sem distinção) e a todos os que em geral queiram reflectir sobre a sua Fé."
Parabéns Caky! O prémio, como podem ver foi atribuído com muita consciência...e muito mérito!
PS:(Yoo, cacky o "pessoal curte-te bués"!=D
Gostei muito do teu conto e do facto de teres transmitido realmente aquilo q pensas (pelo menos foi essa a ideia com que fiquei).
Outra coisa que gostei foi do facto de teres conseguido definir fé uma coisa na qual eu tenho alguma dificuldade...
Parabéns acho que tens tudo o mérito para ganhar este prémio de Mérito (peço desculpa pela redundância)
SA continuem com estas actividades que juntam todas as religiões sem distinção porque afinal como diz a Carina o Deus é o mesmo para todos!!
**
Este texto ta LINDO !!!!! Tenho de dar os parabens a Carina pela historia e é claro pela coragem de expor a sua opiniao sobre a Fé:D
Jinhos **********
Concordo em absoluto com a Sara, uma das coisas mais dificeis de explicar é a Fé e este texto faz isso muito bem.
Parabéns