29 de agosto de 2006

Ser Zero

O Zero sentia-se vazio. Olhava para si mesmo e não gostava do que via: era aquela enorme barriga; era a incapacidade de sobressair; era a falta de um carácter vincado...

Achava mesmo que não valia nada. Já muitas vezes tentara ser esguio como o 1, elegante como o 4 ou belo como o 7, mas nem sequer conseguia a pequena proeza de esticar uma haste para se assemelhar ao 6 ou ao 9.

Era realmente uma nulidade. Mas o pior de tudo nem sequer era o aspecto, pois já se tinha habituado a isso e os outros também nunca o tinham visto de outra forma. Não, o pior nem era olhar-se ao espelho: o pior era quando olhava para dentro de si mesmo. Não valia nada, pronto! Era isso. Nunca tinha feito nada de que se pudesse realmente orgulhar; tinha as mãos vazias; nunca deixaria o nome na história ou marcas no mundo.

Não passava de um zero.

Mas, então, por que razão tinha consigo todos aqueles sonhos, aquele desejo de grandeza, a vontade de se lançar a tarefas gigantescas? Era um zero e sentia dentro de si uma enorme tendência para o infinito...

Ora, isto - pensava ele - não tinha lógica nenhuma. Era até contraditório. E filosofava: Via-se logo que os números tinham sido uma invenção dos homens. Por isso não batiam certo. Se tivessem sido obra de Deus, tudo teria sido diferente. Sendo assim, paciência...

Mas o Zero estava de longe de se resignar com a situação. Alguma coisa lá por dentro se recusava a aceitar pacificamente estas filosofias, ainda que elas servissem perfeitamente como justificação para a sua nulidade e para a vida preguiçosa que levava.

E, no fim de contas, talvez os algarismos não fossem uma invenção dos homens.

Muitas vezes dizia para si mesmo que não podia fugir à sua natureza, à incapacidade com que nascera. Sentindo-se incapaz do esforço de alcançar o infinito, que chamava por ele, repetia cinquenta vezes por dia que o infinito não existia. Para se convencer a si próprio. Para se poder entregar tranquilamente à doçura de uma vida sem montanhas para subir.

No entanto, aquela doçura acabava por o maçar. Tornava-se amarga: não na boca, mas num lugar qualquer que ele não sabia identificar com exactidão. Ora, aquilo doía-lhe. Era como se tomasse veneno.

O Zero sabia a solução, a resposta, a verdade, mas fugia de pensar nisso. Também lhe doía... O Zero sabia que o verdadeiro problema não era a preguiça nem a falta de capacidade. A questão importante era o orgulho.

Sucedia que o orgulho o levava a procurar sempre o primeiro lugar quando se juntava aos outros algarismos para fazerem alguma coisa em conjunto. Conseguia esse lugar porque era o mais forte de todos, mas os outros algarismos não achavam aquilo bem. E quando isso sucedia formava-se uma barreira, uma vírgula, entre ele e os outros. E, assim, com o Zero no primeiro lugar e a vírgula logo a seguir, aquilo que faziam não valia quase nada.

O Zero pressentia que, se aceitasse um dos últimos lugares, tudo seria diferente. Talvez então pudessem, em conjunto, aproximar-se do infinito e até tocar-lhe. Talvez assim se abrissem as portas a todos os sonhos que desde sempre trouxera consigo. Mas teria - assim pensava - de se curvar perante os outros, e baixar a cabeça era para ele uma impossibilidade...

Não vou acabar de contar a história do Zero. Não vou dizer como chegou a entender que para um zero o melhor lugar é o último. Nem como acabou por pedir desculpa aos outros. Nem como conseguiu depois - não sempre, mas muitas vezes - a glória de baixar a cabeça e se colocar no último posto.

É que estas transformações são sempre muito íntimas e dolorosas. Sou amigo do Zero - conheço-o muito bem - e não está certo que revele em público a sua intimidade.

Uns pequenos pedidos:

- O grupo Ser Ajuda pede humildemente para que quem nos possa ajudar, colabore na recolha de listas estilo "Páginas amarelas"( o máximo possível). Para tal, pedimos para que, quem possa, vá deixando a sua contribuição ao grupo junto do Sr. Fernando ou Mário. Estas listas telefónicas serão utilizadas na renovação da sala do grupo, de uma forma bastante original

-O Ser Ajuda pede também para nos avisarem (quem conheça) de alguma loja onde se comprem produtos para tingir tecidos, o mais rápido possível.

Links recomendados:

-http://festivalvicarial.com.sapo.pt/Main.htm (link do Festival de música cristã da Vigararia III, onde a nossa paróquia participou e ganhou alguns prémios...)

-http://www.juventude.gov.pt/Portal/Voluntariado/ (descobre a tua missão no mundo!)


3 comentários:

Anónimo disse...

A história do zero acho que todos sabemos como acaba.
E todos nalguma fase da vida já passámos pelo problema filosófico e existencial do nosso amigo zero.

Acabei de saber o futuro dos materiais... (:
Cheira-me que vai ficar uma sala muito fashion!

Beijinhos*

Anónimo disse...

Gostei bue do texto ta mt giro como smp LOL!!!!!


P.S: - e a ideia para k vamos utlizar as Lista vais ficar mt a frente n tenham duvidas msm :D

Jinhos*********

Anónimo disse...

looooooooooooooool, eu sei q isto tem um fundo sério, ms a históra ta mto gira nunca no mundo eu me ia lembrar desta história, ms voltando a parte séria quem nunca passou por aquilo q o zero passou ainda tem algumas coisas a aprender pq ésta é uma das coisas q toda a gente devia aprender/comprender nem sempre o orgulho é a melhor coisa.

p.s: tem a certeza q querem listas para a sala do SA?? n me digam q vou forrar as paredes com folhas das listas telefónicas :s.

**

Grupo sócio-caritativo sedeado em Lisboa e formado a 27 de Fevereiro de 2005 - "Não se trata apenas da mística da caridade, mas de a concretizar"(Francisco dos Santos, 2009) >> Segue todas as nossas actividades aqui e no Facebook!>> Madrid 2011, o momento do ano está a chegar... de 15 a 22 de Agosto de 2011

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